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O que é bitcoin: guia para iniciantes sem complicação

Danny León
Danny León · 6 min de leitura

Bitcoin é uma moeda digital que não depende de nenhum banco nem governo. Ela funciona graças a uma rede de computadores espalhados pelo mundo que mantêm juntos um registro público de quem tem o quê. Se você quer entender o que é bitcoin porque ouviu falar no almoço de domingo, no TikTok ou naquele grupo de WhatsApp em que um amigo jura que "isso vai pra lua", aqui está tudo explicado sem enrolação e sem tecnicismo desnecessário.

O que é bitcoin e como funciona

Imagine um livro-caixa gigante que, em vez de ficar guardado num banco, está copiado em milhares de computadores ao mesmo tempo. Esse livro se chama blockchain (cadeia de blocos), e nele fica anotada cada transação de bitcoin desde o primeiro dia.

As operações são agrupadas em blocos, e cada bloco é ligado ao anterior. Para alterar um dado antigo, seria preciso reescrever tudo o que veio depois e convencer a maior parte da rede, algo praticamente inviável. Por isso se diz que ninguém consegue apagar ou falsificar o registro sem que os outros percebam.

E quem mantém tudo isso funcionando? Os chamados mineradores: participantes que dedicam poder de processamento para validar blocos e, em troca, recebem bitcoins novos e taxas. É assim que novas unidades são criadas.

Por que dizem que o bitcoin é escasso

As regras do Bitcoin fixam um limite de 21 milhões de unidades. Nem uma a mais. Além disso, o ritmo de criação de novos bitcoins cai pela metade mais ou menos a cada quatro anos, no evento conhecido como halving.

Essa escassez programada é o motivo de muita gente chamar o bitcoin de "ouro digital". Mas vale não tirar conclusões apressadas:

  • Ser limitado não garante que ele vá valer mais com o tempo. O preço depende de quanta gente quer comprá-lo, e essa demanda pode subir ou cair.
  • Existem milhares de criptomoedas diferentes, então a escassez de uma não impede o surgimento de alternativas.
  • O valor do bitcoin não é sustentado pelo lucro de uma empresa nem por um governo: ele se apoia na confiança de quem usa e compra.

Resumindo: escasso, sim. Que isso sempre vire valorização, não.

Vale a pena investir em bitcoin? Entenda os riscos

Spoiler: não é um investimento seguro. Bitcoin é um ativo especulativo e muito volátil. Ele pode oscilar 20% numa semana, para cima ou para baixo, e emendar quedas muito fortes que duram meses ou anos.

Um exemplo com números redondos:

  • Você compra R$ 1.000 em bitcoin.
  • O preço cai 30% e seu investimento passa a valer R$ 700.
  • Para voltar aos R$ 1.000, não basta subir 30%: é preciso subir um pouco mais de 40%.

Tem gente que ganhou muito e gente que perdeu muito por entrar na hora errada. E o desempenho passado do bitcoin não garante resultados futuros. A CVM e o Banco Central do Brasil já alertaram que criptoativos podem perder boa parte ou todo o seu valor e não contam com as mesmas proteções de outros produtos financieros, como a garantia do FGC.

Se a oscilação te dá frio na barriga, provavelmente não é ali que deve ficar o dinheiro do aluguel.

Três coisas para saber antes de comprar

  1. Só com dinheiro que você pode se dar ao luxo de perder. É a regra de ouro, e todo mundo repete porque funciona. Antes de pensar em cripto, o razoável é ter as contas do mês em dia, uma reserva de emergência montada e nenhuma dívida cara pendurada, como rotativo do cartão ou cheque especial.
  2. Use prestadoras autorizadas e desconfie de promessas. No Brasil, o marco legal dos criptoativos colocou as empresas que prestam serviços com ativos virtuais sob supervisão do Banco Central, que exige autorização para funcionar. Antes de abrir conta, confira se a empresa está regularizada. E se um site promete "dobrar seu dinheiro em 24 horas", fuja: é o sinal clássico de golpe ou pirâmide.
  3. Guarde bem suas chaves. Seus bitcoins são controlados por chaves privadas e uma frase de recuperação. Se você perder ou alguém roubar, ninguém vai devolver o acesso. Aqui não existe "esqueci minha senha". Nunca compartilhe essa frase, nem com quem diz ser do "suporte técnico".

Como comprar bitcoin

O mais comum é usar uma exchange, ou seja, uma plataforma de compra e venda de criptomoedas. O passo a passo costuma ser:

  1. Criar uma conta.
  2. Confirmar sua identidade com CPF e documento com foto (as plataformas reguladas são obrigadas a pedir).
  3. Depositar reais, normalmente via Pix ou transferência.
  4. Comprar a quantidade que quiser.

Não é preciso comprar um bitcoin inteiro: ele se divide em frações bem pequenas. Um exemplo ilustrativo: se um bitcoin custasse R$ 350.000 e você comprasse R$ 100, receberia cerca de 0,00029 BTC, menos as taxas.

E é exatamente nas taxas que você deve prestar atenção: de compra, de venda, de saque e o spread, a diferença entre o preço de compra e o de venda. Em valores pequenos, elas podem consumir uma parte considerável do que você aplicou.

Outra decisão é onde guardar. Você pode deixar na plataforma (mais prático, mas você depende dela) ou transferir para uma carteira própria (mais controle, mas toda a responsabilidade de guardar as chaves fica com você).

Bitcoin paga imposto de renda?

Sim, o Leão também aparece por aqui. No Brasil, o lucro com criptoativos é tratado como ganho de capital, e as regras gerais, hoje, funcionam mais ou menos assim:

  • O imposto incide sobre a diferença entre o que você pagou e o valor recebido na venda.
  • Em plataformas nacionais, existe uma faixa de isenção para vendas mensais de valor mais baixo; acima dela, o ganho é tributado com alíquotas que sobem conforme o tamanho do lucro.
  • Trocar bitcoin por outra criptomoeda também pode contar como operação tributável, mesmo sem passar pelo real.
  • Criptoativos mantidos em plataformas no exterior seguem regras próprias, sem a mesma isenção.
  • Mesmo sem vender, você pode ter de informar seus criptoativos na declaração anual e, em alguns casos, reportar operações mensalmente à Receita.

Essas regras mudam com frequência, então consulte o site da Receita Federal ou um contador antes de movimentar valores relevantes.

Para levar com você

Bitcoin não é mágica nem golpe por definição: é uma tecnologia curiosa e um ativo especulativo com muito risco. Entender o que é bitcoin, como funciona e o que pode dar errado antes de comprar é a melhor decisão que você pode tomar.

Aviso: este artigo tem caráter educativo e não constitui recomendação de investimento. Todo investimento envolve risco de perda.

Perguntas frequentes

Bitcoin tem garantia do FGC?

Não. O Fundo Garantidor de Créditos cobre produtos como poupança e CDB, mas não criptoativos. Se o preço despencar ou a plataforma quebrar, não existe esse tipo de proteção.

Bitcoin é anônimo?

Não totalmente. Os endereços não trazem seu nome, mas todas as transações ficam registradas na blockchain pública, e as plataformas autorizadas pedem seu CPF e documentos. O termo mais correto é pseudonimato.

Preciso declarar bitcoin no imposto de renda mesmo sem vender?

Em geral, sim, na ficha de Bens e Direitos, pelo custo de aquisição, quando o valor pago por tipo de criptoativo atinge o limite definido pela Receita. Só manter não gera imposto a pagar, mas a informação precisa estar na declaração.

O que é uma carteira fria?

É uma forma de guardar suas chaves sem conexão com a internet, por exemplo num dispositivo físico próprio para isso. Diminui o risco de ataques hackers, mas se você perder o aparelho e a frase de recuperação, perde o acesso.

Fontes

  1. CVM: Comissão de Valores Mobiliários
  2. Banco Central do Brasil
  3. Receita Federal
Danny León
Sobre o autorDanny León

Escreve sobre criptomoedas na Antrade: como funcionam, como se proteger e quais são os riscos antes de investir.

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