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Inflação e taxa de juros: como afetam o seu dinheiro

Jorge Ponce
Jorge Ponce · 6 min de leitura

A inflação é a alta geral dos preços ao longo do tempo, e a taxa de juros é o preço de pegar dinheiro emprestado. As duas andam juntas: quando a inflação acelera, o Banco Central sobe os juros para segurá-la, e isso muda quanto você paga em empréstimos, quanto rendem suas aplicações e como a bolsa se comporta. Veja como funciona, sem complicação.

O que é inflação

Inflação é a perda do poder de compra do dinheiro. Se hoje um cafezinho custa R$ 6,00 e daqui a alguns anos custa R$ 7,20, com o mesmo dinheiro você toma menos cafés.

No Brasil, o índice oficial é o IPCA, calculado todo mês pelo IBGE a partir de uma cesta de produtos e serviços consumidos pelas famílias: alimentação, energia, transporte, moradia, lazer…

Uma inflação moderada é normal numa economia que cresce. O problema começa quando ela dispara ou quando sua renda e suas economias não acompanham.

Por que a inflação pesa nas suas economias

Esta é a parte que muita gente ignora: dinheiro parado também perde, mesmo que o número na tela não diminua.

Um exemplo com números redondos. Você deixa R$ 10.000 numa conta que rende 0,5% ao ano, e a inflação média é de 3%:

  • Em 5 anos, o saldo será de cerca de R$ 10.250.
  • Mas esse dinheiro vai comprar o que hoje compram cerca de R$ 8.840.

O extrato mostra R$ 250 a mais, enquanto você perdeu mais de R$ 1.100 em poder de compra. Por isso deixar tudo parado "por segurança" também tem risco.

O que é a taxa de juros

A taxa de juros é o custo de pegar dinheiro emprestado e, ao contrário, o que você recebe por emprestar ou aplicar. No Brasil, a referência é a Selic, definida pelo Copom, o comitê do Banco Central que se reúne a cada 45 dias, mais ou menos.

  • Juros altos: empréstimos e financiamentos ficam mais caros, a renda fixa costuma render mais e a economia tende a desacelerar.
  • Juros baixos: o crédito fica barato, o consumo e o investimento crescem, mas a renda fixa rende menos.

Como o Banco Central usa os juros contra a inflação

O Banco Central persegue uma meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional. Quando os preços sobem bem acima da meta, ele costuma subir a Selic:

  1. Pegar dinheiro emprestado fica mais caro.
  2. Famílias e empresas tomam menos crédito e gastam menos.
  3. Com menos demanda, a pressão sobre os preços diminui.

Quando a inflação cede, os juros podem voltar a cair. É um equilíbrio delicado: juros altos demais por tempo demais podem frear o crescimento e o emprego.

Como isso afeta o seu dia a dia

  • Financiamentos: contratos com taxa variável ou indexada sentem a mudança; os de taxa fixa já assinados não.
  • Aplicações: a renda fixa, como Tesouro Selic e CDBs atrelados ao CDI, costuma render mais quando os juros sobem.
  • Bolsa: juros altos costumam pesar sobre empresas muito endividadas e sobre aquelas cujo lucro está muito no futuro.
  • Consumo: crédito pessoal, cheque especial e o rotativo do cartão ficam ainda mais caros.

O que você pode fazer

Não é preciso ser economista para se proteger um pouco melhor:

  • Monte uma reserva de emergência numa aplicação segura e com liquidez, que renda pelo menos perto da inflação.
  • Quite primeiro as dívidas caras, principalmente o rotativo do cartão e o cheque especial.
  • Para o dinheiro de longo prazo, conheça opções diversificadas que historicamente buscaram superar a inflação, sabendo que todas têm risco.
  • Acompanhe os dados, não as manchetes: o IPCA e as reuniões do Copom têm datas conhecidas.

Para levar com você

Inflação e juros são dois lados da mesma moeda. Quando você entende como se relacionam, o noticiário econômico deixa de parecer outra língua e você decide melhor o que fazer com o seu dinheiro.

Aviso: este artigo tem caráter educativo e não constitui recomendação de investimento. Todo investimento envolve risco de perda.

Perguntas frequentes

Por que o Banco Central sobe os juros quando a inflação aumenta?

Porque com o dinheiro mais caro as pessoas e empresas pegam menos empréstimos e gastam menos. Com menos demanda, a pressão sobre os preços diminui. O risco é exagerar e frear demais a economia.

O que é a Selic?

É a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Copom, do Banco Central. Ela serve de referência para empréstimos, financiamentos e para o rendimento de muitas aplicações de renda fixa.

A alta dos juros afeta um financiamento com taxa fixa?

Não muda a parcela de um contrato com taxa fixa já assinado. Afeta contratos com taxa variável ou indexada e qualquer crédito novo que você contratar.

Deixar o dinheiro parado na conta me protege da inflação?

Não. Se o rendimento for menor que a inflação, o saldo pode até continuar igual, mas compra cada vez menos.

Fontes

  1. IBGE: IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo)
  2. Banco Central do Brasil: taxa Selic
Jorge Ponce
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Explica o que move os mercados: inflação, juros e como ler as notícias financeiras com calma.

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